Miguel Torga não imaginou, mas
aconteceu - 21 visitantes transmontanos e conterrâneos do médico e poeta,
afinal, Sabrosa é mesmo ali ao lado de Vila Flor, visitaram a Casa-Museu do
escritor em Coimbra.
A última sexta-feira de fevereiro brindou
alunos e professores com um tímido sol e Inês, curadora e guia da visita,
recebeu o grupo de braços abertos. Objetos pessoais e pertences do autor de
“Sísifo” e “Contos da Montanha” desfilaram perante os alunos. Na
biblioteca/escritório respirava-se serenidade, respeito e tranquilidade. O sommier
bem pertinho da mesa de trabalho (não fosse o cansaço estragar tão preciosa redação
de poemas e narrativas), sem esquecer a famosa “torga” – mais conhecida por
urze - no jardim da habitação a fazer jus ao pseudónimo do escritor.
Mas o percurso de estudo estava só no
início – na verdade, outros grandes do cenário literário português iriam ser
contemplados: o grupo preparou-se para dois dias de aprendizagem literária
itinerante – as toilettes e as malas teriam de “dar” para sexta e sábado. Mafra
a oferecer a visita e a explicação do romance de José Saramago, Memorial do
Convento, e Sintra a transparecer a preferência das personagens de “Os
Maias” prenderam a atenção de todos.
Chegados ao destino, o guia, Eduardo, explicou
o porquê da construção do Convento e toda a magnificência de D. João V: o rei
era extravagante, tinha piolhos, tinha luxos, tinha amantes – o que é que ele
não tinha????
Cada sala, quarto ou corredor, e são
tantos com tantas riquezas expostas, suscitava a admiração dos presentes.
Para terminar o dia, nada melhor que a paisagem
da praia da Ericeira e a noite de descanso na Pousada que foi reconfortante.
Sábado levou-nos à Quinta de Monserrate, em Sintra, a qual proporcionou ao
grupo uma atividade plena de novos conhecimentos e o exercício físico com o
qual ninguém contava em pleno contato com a Natureza. Bem dizia Eça de Queirós
que “todo o mundo devia ter a religião daquelas árvores e o amor daquelas
sombras”. Constatou-se também a verdade das afirmações queirosianas: “bons
ares, só compreendia os de Sintra” e “Sintra não são pedras velhas, nem
coisas góticas. Sintra é uma pouca de água, um bocado de musgo…Isto é um
paraíso!...
Já cansados, mas animados e contentes,
cheios de lembranças e de novas aprendizagens, alunos e professores regressaram
a Vila Flor - “Sintra ficava dormindo ao luar”. Dois dias passaram a
correr, experienciaram-se novas situações e, quanto aos sabores, ainda agora se
concluiu que, na verdade, as Queijadas de Sintra são excelentes …. pequeninas,
mas “Caramba!”
Alunos
do 12º A